Alexandrinos Nikity

Alexandrinos Nikity

Cientistas ouviram sons de pássaros vindos dos painéis de uma fazenda solar flutuante na Holanda, comprovando que as aves podem encontrar abrigo embaixo deles

imagem 1784742036 mhq5ht

Uma fazenda solar flutuante instalada no lago Bomhofsplas, na Holanda, revelou uma interação inesperada com a natureza. Durante o monitoramento da água, cientistas viram aves entre os painéis solares e ouviram sons vindos do espaço protegido sob a estrutura. As observações indicam que pássaros e patos podem usar o local para descansar e construir ninhos.

Os módulos ficam elevados sobre estruturas metálicas e blocos flutuantes, deixando espaços entre a água e a parte inferior dos painéis.
Os módulos ficam elevados sobre estruturas metálicas e blocos flutuantes, deixando espaços entre a água e a parte inferior dos painéis. – Imagem gerada por IA

Onde fica a fazenda solar flutuante estudada?

O parque está no lago artificial de Bomhofsplas, próximo à cidade de Zwolle. A área surgiu com a extração de areia, possui 63 hectares e pode chegar a 35 metros de profundidade. O sistema fotovoltaico foi instalado no início de 2020 sobre aproximadamente 30% da superfície do lago.

A instalação reúne cerca de 72 mil painéis solares, ocupa 18,25 hectares e possui capacidade de 27,4 MWp. Segundo os pesquisadores, a eletricidade produzida seria suficiente para abastecer mais de 7.200 residências. Essas dimensões transformaram Bomhofsplas em um local importante para observar como grandes estruturas flutuantes afetam a água e a vida silvestre.

O que os sons de pássaros realmente demonstram?

Os ruídos não confirmaram diretamente a existência de ninhos, pois os pesquisadores não fizeram uma investigação específica para identificar espécies, ovos ou filhotes sob os módulos. Eles registraram sinais que sustentam essa possibilidade:

(function(w,q){w[q]=w[q]||[];w[q].push([“_mgc.load”])})(window,”_mgq”);

  • aves foram vistas sobre as plataformas e entre os painéis;
  • pássaros e patos foram ouvidos sob a estrutura flutuante;
  • o espaço protegido pode ser usado para repouso;
  • a cobertura oferece abrigo contra parte do vento e da exposição direta;
  • fezes de aves foram encontradas em grande quantidade em um setor do parque.

Como os painéis solares podem criar abrigo para as aves?

Os módulos ficam elevados sobre estruturas metálicas e blocos flutuantes, deixando espaços entre a água e a parte inferior dos painéis. O desenho permite a entrada de vento e de uma parcela da luz solar, ao mesmo tempo que forma áreas mais protegidas do que a superfície aberta do lago.

Outras pesquisas sobre energia solar flutuante já registraram aves descansando sobre plataformas e até construindo ninhos sob módulos. Os cientistas ressaltam, porém, que a resposta varia conforme a espécie, a estação do ano, o tamanho do parque e as características do reservatório. Por isso, a presença de pássaros em Bomhofsplas não significa que qualquer instalação produzirá o mesmo resultado.

Os módulos ficam elevados sobre estruturas metálicas e blocos flutuantes, deixando espaços entre a água e a parte inferior dos painéis.
Os módulos ficam elevados sobre estruturas metálicas e blocos flutuantes, deixando espaços entre a água e a parte inferior dos painéis. – Imagem gerada por IA

Quais benefícios e riscos foram encontrados no lago?

O monitoramento identificou pequenas diferenças entre a água aberta e a região coberta. Também mostrou que partes submersas foram rapidamente colonizadas por organismos. Entre os resultados e pontos de atenção estão:

  • formação de uma camada biológica sobre os flutuadores;
  • presença de pequenos bivalves nove meses após a instalação;
  • menores picos de temperatura nas camadas superficiais sombreadas;
  • entrada de vento e luz sob parte dos módulos;
  • possível redução da eficiência causada por fezes sobre os painéis;
  • risco de nutrientes serem carregados para a água durante a chuva.

A convivência entre energia solar e biodiversidade depende do projeto

O estudo não concluiu que os painéis melhoram automaticamente o ecossistema. Ele avaliou um único parque, construído sobre um lago artificial e com um desenho que deixa luz e vento chegarem à água. Os próprios autores afirmaram que seriam necessários monitoramentos mais longos, em diferentes reservatórios e com mais indicadores biológicos.

Mesmo com essas limitações, a presença de aves, bivalves e outros organismos mostra que a energia solar flutuante pode dividir espaço com habitats aquáticos quando a instalação é planejada e acompanhada. O resultado de Bomhofsplas abre caminho para projetos que considerem desde o início a circulação da água, os locais de descanso das aves e estruturas capazes de apoiar a biodiversidade sem interromper a geração de eletricidade.

Fonte: catracalivre.com.br

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *