As passagens aéreas da Azul estão, em média, 30% mais caras na comparação com o fim de fevereiro, quando a guerra no Oriente Médio começou e fez disparar o preço do petróleo, que tem afetado o custo com combustível de aviação. Segundo a companhia, o número se refere a reservas futuras, e o aumento é sentido principalmente em voos nacionais.

“No mercado doméstico há muito mais demanda de última hora e demanda corporativa. A curva de reservas é muito mais próxima da data do voo. Assim, é possível aplicar tarifas mais altas muito mais rapidamente. Já no mercado internacional, o processo leva mais tempo por causa da curva de reservas, e os números absolutos também são muito maiores”, explicou o presidente da Azul, Abhi Shah, em teleconferência de resultados financeiros na manhã de hoje.
De acordo com o executivo, o setor fez nove acréscimos nas tarifas desde 28 de fevereiro. Já em 2025, segundo Shah, foram apenas três momentos de aumento. “A indústria tem feito um bom trabalho ao mostrar bastante urgência [ao aumentar as tarifas]”, afirmou.

Shah também afirmou que a maior oscilação tarifária da Azul aparece nos mercados de São Paulo e Rio de Janeiro. “Eles [os preços] disparam, depois acabamos devolvendo parte disso, e então voltam a disparar. Depois devolvemos novamente. Isso já aconteceu duas ou três vezes”.
Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontam que a tarifa média da Azul em março foi a mais cara do país, fechando em R$ 739,87. O valor representa um aumento de cerca de 10% sobre o mesmo mês do ano passado e de 21% em uma comparação mais imediata com fevereiro deste ano.

Assim como a Latam, a companhia aérea Azul também confirmou que seguirá cancelando voos em razão dos impactos da guerra no Oriente Médio. O presidente da companhia afirmou que reduzirá a oferta de assentos em 5% em maio e junho.
“Avançaremos estrategicamente com isso [a redução de capacidade] conforme necessário”, explicou Shah, o que sugere que a companhia não descarta novos cortes em um futuro próximo.

A Azul fechou o primeiro trimestre de 2026 com uma redução de 2,7% na capacidade de assentos em comparação ao mesmo período do ano passado. Essa retração, porém, já era esperada, uma vez que a empresa saiu da recuperação judicial sob uma perspectiva de crescimento menor e mais “responsável”.
Um cenário de oferta reduzida para uma demanda que segue crescendo ajuda a companhia a manter as tarifas das passagens mais elevadas ao mesmo tempo em que economiza combustível na conjuntura crítica atual.
Mesmo assim, o contexto de preço elevado do querosene e a redução na oferta devem levar a Azul a um resultado diferente do projetado no início do ano. Se antes a companhia esperava um crescimento de 1% em 2026, essa possibilidade está ameaçada, e agora a empresa acredita que este número poderá ser negativo.

O presidente da Azul acredita que os preços do petróleo podem começar a recuar a partir do próximo trimestre, o que deve representar um alívio no bolso das companhias aéreas. Os reflexos, no entanto, demoram mais a chegar – a defasagem no repasse de preços é de cerca de 45 dias.
O executivo argumentou que a estratégia de frota, sobretudo para operações internacionais, pode ajudar a Azul a ter menos gastos com combustíveis. A empresa opera apenas com o Airbus A330 em voos para o exterior, e vai se desfazer de parte deles ao longo dos próximos meses.
“O que está nos ajudando agora é a substituição de frota internacional. O timing não poderia ter sido melhor. Isso está reduzindo nossa exposição ao combustível pelos próximos três a seis meses, que devem ser o pico de preços do combustível. De um ponto de vista de capacidade, nós estamos muito bem posicionados. Não temos que pegar aviões que não queremos”, afirmou Shah.

Como já explicamos em outros posts, o preço do petróleo é diretamente impactado pela guerra no Oriente Médio, o que faz com que o valor do combustível de aviação também seja afetado.
Desde o início do conflito, a commodity passou de cerca de US$ 70 para mais de US$ 100, o que levou a Petrobras a fazer aumentos consecutivos no preço do querosene usado em aviões. Entre março, abril e maio, o aumento acumulado ficou próximo de 100% – embora cerca de 80% da produção do QAV seja interna, os preços seguem a paridade internacional.

Parte do problema está no Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã, por onde passa cerca de 20% da produção global de petróleo. A área está parcialmente fechada desde o começo do conflito, o que interrompeu o escoamento da produção e fez o preço da commodity disparar.
O querosene, que antes representava cerca de 30% dos custos das companhias aéreas, agora ronda a casa dos 45%, segundo estimativa da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).
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Fonte: melhoresdestinos.com.br