Atualmente com operação entre 6h e 23h, o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, pode ter horário estendido para pousos e decolagens em situações como a que provocou o caos aéreo de dezembro do ano passado. A ideia parte de uma proposta da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que representa Azul, Gol e Latam.

Em um ofício enviado à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) no fim de abril, a entidade pede ajuda para “viabilizar a extensão excepcional, limitada e pontual do horário de operações no Aeroporto de São Paulo/Congonhas”. Não há um prazo extra estabelecido, mas a Abear argumenta que a medida é necessária para “mitigar impactos sistêmicos sobre a malha aérea nacional” e afetar menos passageiros.
Congonhas opera em período reduzido por conta dos efeitos sonoros das aeronaves à vizinhança do terminal. Em situações de caos aéreo, a faixa horária é ampliada para que o máximo possível de voos do dia seja cumprido, mas isso depende de liberação das autoridades aeronáuticas. A Abear quer que essa extensão seja mais previsível e autorizada de maneira mais ágil.

Em nota, a Anac afirmou que o tema apresentado pela associação foi encaminhado à diretoria colegiada e está em análise. Segundo a agência, não há um posicionamento definido.
Procurada pelo Melhores Destinos, a Associação Viva Moema, que representa moradores, comerciantes e empresários de Moema, bairro na Zona Sul de São Paulo, região onde fica o aeroporto, disse ser “totalmente” contrária à alteração de horário do aeroporto. “A extensão excepcional vai abrir um precedente enorme. Esse horário já foi definido e a extensão excepcional já está bem definida”, disse a entidade.

Segundo a entidade que representa as companhias aéreas, cinco cenários se encaixariam no critério de liberação de tempo extra de operação do aeroporto:

A Abear cita dois casos recentes que impactaram o Aeroporto de Congonhas e tiveram reflexos em todo o país, com muitos atrasos e cancelamentos. Um deles é a ventania que atingiu São Paulo em 10 de dezembro do ano passado – a interrupção das operações em Congonhas foi tão grande que gerou reflexos em dias posteriores.
Segundo a associação, os dados agregados reportados por Gol e Latam indicaram 571 voos cancelados, 78 voos alternados, 97.426 passageiros afetados e impacto financeiro estimado em R$ 35 milhões. Não há informações sobre a Azul.
Já no mês passado, quando a evacuação do prédio do Controle de Aproximação de São Paulo, por suspeita de vazamento de gás, afetou a operação dos aeroportos de São Paulo, os dados agregados das três companhias apontaram 178 voos cancelados, 22 voos alternados, 38.682 passageiros afetados e impacto financeiro estimado em R$ 10 milhões.

A Abear também quer que as autoridades aeroportuárias assegurem a decolagem das aeronaves que já saíram das suas posições de estacionamento. Atualmente, caso o limite de horário seja atingido, os aviões que estão na fila para sair precisam voltar ao terminal de passageiros e desembarcar todos que estão a bordo.
A proposta da associação que representa Azul, Gol e Latam inclui aeronaves que estão em procedimento de pouso, para evitar que precisem desviar para aeroportos alternativos ou voltar à origem caso Congonhas feche por causa do horário.

Segundo a Abear, os dois cenários acima podem gerar apreensão a bordo, o que, na prática, pode ameaçar a segurança de voo.
“[Ambas as situações] tendem a produzir forte frustração aos passageiros, especialmente porque representam mudança abrupta de planos quando já existe expectativa concreta de partida ou de chegada ao aeroporto planejado. Além dos efeitos imediatos sobre a jornada, tais situações podem ampliar a apreensão a bordo e, em último caso, contribuir para o surgimento de passageiro exaltado ou indisciplinado em razão da quebra repentina de perspectiva, circunstâncias que podem ser mitigadas caso se preserve a racionalidade operacional”, disse a associação à Anac.

Quando Congonhas fecha por períodos prolongados, é quase certo que todo o Brasil será afetado. Esse impacto em efeito cascata não é uma particularidade apenas do aeroporto paulistano, mas o terminal é o segundo mais movimentado do país, atrás apenas de Guarulhos, e opera apenas voos domésticos.
De maneira geral, é correto afirmar que a malha aérea nacional é interligada. Cada aeronave tem rotas definidas ao longo de um dia, e se o primeiro voo atrasa, por exemplo, a tendência é que todas as outras viagens desse avião também saiam além do horário previsto.

Esse efeito dominó pode fazer, por exemplo, com que um avião escalado para chegar em Congonhas perto do horário do fechamento para pernoitar e sair de novo na manhã seguinte precise desviar seu curso e ficar parado em outro lugar.
A impossibilidade de concluir as operações tende a desaguar em cancelamentos de voos, perdas de conexões, pernoites involuntários, reacomodações em cadeia e atrasos nos dias subsequentes. Isso amplia os transtornos aos passageiros, gera custos extras às companhias aéreas e pode resultar em mais casos de judicialização, algo temido pelas empresas e que está sendo proativamente abordado pelo setor em Brasília.
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Fonte: melhoresdestinos.com.br