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Por que pilotos “despejam” combustível no ar antes de pousos de emergência?

Quase um ano atrás, o que seria o voo inaugural da Azul na rota RecifeMadri virou um voo Recife-Recife. Depois de cerca de 20 minutos no ar, o Boeing 767 usado pela companhia precisou dar meia-volta para pousar na capital pernambucana em razão de problemas na aeronave. Antes disso, no entanto, os pilotos precisaram sobrevoar o oceano para se livrar de parte do combustível.

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De acordo com dados da plataforma Flightradar24, o avião ficou voando em círculos por cerca de uma hora e meia. Mas por que os pilotos despejaram combustível antes de pousar – em emergência, mas em segurança – no Aeroporto do Recife?

Por que pilotos precisam despejar combustível no ar?

Antes de mais nada, é importante dizer que esse procedimento é normal em situações de emergência na aviação e não representa um risco – muito pelo contrário!

Em português, o ato de se livrar do querosene que está nos tanques  tecnicamente se chama “alijamento de combustível”. Toda aeronave tem um limite máximo de peso na decolagem (MTOW, na sigla em inglês) e no pouso (MLW). Ao longo do percurso, o avião naturalmente queima combustível e chega no destino mais leve, apto a pousar dentro das regras estabelecidas.

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Por outro lado, quando há um problema logo depois da decolagem e exige retorno ao aeroporto de origem, a figura muda. Com o avião ainda bastante pesado, o risco principal de um pouso mora em danos estruturais à aeronave, como em freios e pneus. A atitude também pode fazer o avião parar fora dos limites da pista.

Por isso, mecanismos como o alijamento de combustível, que ficam localizados nas asas (imagem acima), entram em ação. Essa é uma verdade, porém, apenas para a maioria dos aviões de corredor duplo, que são geralmente escalados para voos internacionais de longa distância.

Esses modelos, como o Boeing 767, 777 e o Airbus A380, contam com a estrutura para despejar combustível antes de um pouso de emergência, justamente por serem aviões que têm uma diferença maior entre os limites de máximos de peso na decolagem e no pouso.

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Uma das versões do Airbus A380, por exemplo, tem MTOW de 560 toneladas e MLW de 386 toneladas, segundo a fabricante europeia – uma diferença de 174 toneladas!

Curiosamente, nem todos os aviões de grande porte têm, obrigatoriamente, os sistemas de alijamento de combustível. É o caso dos modernos Airbus A350 e das gerações mais recentes do A330. A decisão, em situações assim, cabe à companhia aérea.

Normalmente, quando usados em voos de longa distância, as empresas são orientadas a adquirir aviões equipados com o sistema de eliminação.

Aviões menores têm sistema de alijamento de combustível?

O mesmo não se pode dizer de aviões menores. O Airbus A320 e o Boeing 737, por exemplo, ambos de corredor único e usados para voos de curta e média distância, geralmente domésticos (no caso do Brasil), não contam com esses sistemas de alijamento de combustível.

Airbus A320 7

O que acontece, então? Nestes casos, quando necessário, os aviões precisam voar em círculos para queimar combustível, mas sem descartá-lo como acontece em modelos maiores. Contudo, o A320 e o 737 têm MTOW e MLW muito próximos, o que não necessariamente exige procedimentos especiais antes de um pouso de emergência logo após a decolagem.

O Airbus A320neo, por exemplo, tem um MTOW de 79 toneladas e um MLW de 68,4 toneladas. Uma diferença, portanto, de nove toneladas, e que revela uma grande diferença para aeronaves maiores e ajuda a justificar a ausência do sistema de alijamento.

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Fonte: melhoresdestinos.com.br

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