A Petrobras anunciou hoje uma redução de 14,2% no preço do querosene de aviação (QAV) às distribuidoras após aumentos consecutivos desde o início da guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro. A redução, segundo a estatal, é de R$ 0,93 por litro em relação a maio.

O alívio nos preços vem após uma estabilização geopolítica e na cotação do petróleo, que está, em média, ligeiramente abaixo de US$ 100 o barril – no pico, chegou a alcançar cerca de US$ 115. Com a redução de hoje, o QAV no Brasil agora acumula alta de aproximadamente 70% desde o começo do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Vale lembrar que, ainda que o nosso país produza cerca de 80% do QAV usado internamente, os valores ao mercado seguem a paridade internacional. A Petrobras, no entanto, argumenta que a precificação local segue uma fórmula que funciona como “amortecedor de curto prazo”, resultando em “reajustes mais moderados” que os observados no exterior.

Além da redução de preços, a Petrobras informou que os volumes de QAV solicitados pelas distribuidoras para este mês estão confirmados, o que garante o abastecimento nos polos de atendimento.
O combustível de aviação é o principal custo operacional das companhias aéreas. Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), que representa Azul, Gol e Latam, a fatia dos gastos com QAV passou de cerca de 30% antes da guerra para a casa dos 45%.

Os custos adicionais com combustível já se refletem nos preços das passagens e na oferta de voos. De acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a tarifa média no Brasil subiu quase 27% na soma de março e abril, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Em relação aos voos, a Abear prevê que Azul, Gol e Latam, juntas, cortem 121 decolagens por dia neste mês, o que representa 3,6 mil operações a menos. Em abril, a redução diária ficou em 93 voos.

Mesmo com a redução anunciada hoje pela Petrobras, o governo federal decidiu, na sexta-feira, estender o prazo de isenção de impostos sobre o QAV. A medida integra um pacote que inclui o diesel e o GLP (gás liquefeito de petróleo), e é um desdobramento de um anúncio feito no início de abril.
O movimento atende à pressão do setor aéreo, que vinha pedindo a ampliação do tempo de isenção do PIS/Cofins sobre o QAV. Inicialmente, as medidas do governo venceriam ontem e eram um ponto de preocupação de Azul, Gol e Latam.

Além da isenção de PIS/Cofins, as companhias aéreas podem pagar só em dezembro à Força Aérea Brasileira as tarifas de navegação referentes a abril, maio e junho, e podem acessar linhas de crédito federais que chegam a R$ 3,5 bilhões. Esses valores estão parcialmente liberados até o momento.
A Petrobras, por sua vez, confirmou que o programa de parcelamento para os reajustes de preço do QAV será mantido para o reajuste de junho. Isso permite que as distribuidoras paguem um percentual menor de reajuste no momento da compra e quitem o saldo em seis parcelas mensais.
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Fonte: melhoresdestinos.com.br