De 2019 a 2025, o Brasil passou de 859 para 774 rotas aéreas, segundo dados apresentados pela Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata) na reunião anual da entidade, no Rio de Janeiro. A redução, de quase 10%, revela que a conectividade no país ainda não foi totalmente retomada após a pandemia – e outros problemas no horizonte podem prejudicar essa recuperação.

Embora o setor aéreo no Brasil – assim como em todos os outros países – tenha naturalmente perdido espaço por conta da crise sanitária, sobretudo em 2020 e 2021, a Iata coloca o ponto dos impostos como um fator que impede o crescimento das companhias locais.
“Estão matando as oportunidades de crescimento [do mercado aéreo na região]”, afirmou o vice-presidente da Iata nas Américas, Peter Cerdá, que destacou que o excesso de tributação impacta diretamente o poder aquisitivo dos passageiros e compromete a conectividade nacional.

Outro dado da Iata mostra uma retração no setor aéreo brasileiro sobre o volume de frequências. Se em 2019 esse número era de 924 mil por ano, em 2025 ficou em 883 mil, uma redução de 4,5%. Por outro lado, a capacidade avançou 4%, de 139 milhões de assentos para 145 milhões, muito em razão da alocação de aeronaves maiores ou com mais lugares.
Mesmo com o cenário majoritariamente negativo apresentado pela Iata, no ano passado, o Brasil alcançou uma marca recorde de transporte aéreo de passageiros, chegando a 130 milhões de viajantes domésticos e internacionais.

De 130 milhões de passageiros por ano para aproximadamente 90 milhões. Esse é o cálculo da Iata sobre o impacto da reforma tributária no setor aéreo brasileiro: uma redução de 30% no número de viajantes “em um país em que mal temos uma viagem por ano per capita”, disse Cerdá.
A projeção de impacto da reforma tributária sobre o setor aéreo brasileiro já havia sido divulgada pela Iata no ano passado e foi reforçada no momento em que a nova proposta entra em vigor no país.

A reforma tributária é uma das brigas mais imediatas do setor aéreo com o governo. Embora a nova proposta simplifique a tributação às empresas e à sociedade, novos custos para o setor de serviços acenderam um alerta entre as companhias aéreas, que podem se deparar com encargos na casa de 26,5% – e que podem chegar ao bolso do consumidor.
Segundo a Iata, o preço médio das tarifas domésticas pode passar de US$ 130 (R$ 672) para US$ 160 (R$ 827). Nas rotas internacionais, o valor médio pode saltar de US$ 740 para US$ 935.

Além da incidência de mais impostos, a entidade do transporte aéreo cita o cenário de passagens mais caras por conta do impacto do preço do combustível de aviação (QAV) como outro motivo para uma redução na demanda por viagens aéreas.
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) defendeu, no mês passado, uma proposta de regulamentação específica da reforma tributária para o setor aéreo, com foco na ampliação da aviação regional no Brasil.

O principal eixo da medida, segundo o MPor, é o uso de toda a malha aérea operada por uma determinada empresa, e não apenas trechos isolados, como critério para acesso à redução de 40% sobre os tributos IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), previstos na reforma tributária.
Nesse modelo, de acordo com o ministério, são consideradas empresas aéreas regionais aquelas cuja operação contemple 50% da oferta de assentos dedicados a rotas regionais.
“Esse enquadramento permite que o benefício tributário seja aplicado de forma mais ampla, criando condições para que o desempenho financeiro das rotas principais sustente a expansão e a manutenção de voos em regiões menos atendidas”, disse o MPor.

O Melhores Destinos procurou o Ministério da Fazenda e a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) para comentar as discussões em torno da reforma tributária, e aguarda retorno.
A Iata definitivamente não poupou críticas às políticas tributárias de governos de países da América Latina durante o evento no Rio. Segundo a entidade, a região tem as maiores taxas do mundo sobre passagens aéreas, representando 29% do total cobrado em cada tarifa.

Além da reforma tributária no Brasil, a Iata atacou a taxa de conexão internacional no Aeroporto de Lima, no Peru. Classificada pela organização como “um tiro no pé”, a cobrança extra aos passageiros já teria provocado uma redução de pelo menos 10% no tráfego de passageiros em rotas como Santiago-Lima.
A Latam, por sua vez, cortou algumas ligações, incluindo Florianópolis-Lima, enquanto sequer chegou a lançar a operação a partir de Belo Horizonte.
Mesmo com a nova taxa em vigor desde dezembro, a administração do Aeroporto de Lima afirmou no mês passado que o tráfego de conexões no terminal cresceu 5,4% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. O número de passageiros internacionais avançou 4,2%.
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Fonte: melhoresdestinos.com.br