A companhia aérea Azul está reorganizando o quebra-cabeças de sua frota internacional. Recentemente, a empresa encerrou os voos com as aeronaves Airbus A330-900neo – usados em voos de longa distância – alugadas da Avolon, que agora serão preparadas no exterior para voltar ao Brasil, mas nas cores da Gol.

Ao mesmo tempo, a companhia iniciou neste fim de semana a operação com o primeiro A330-900neo diretamente de fábrica – a companhia tem um contrato com a Airbus para receber 11 aviões deste tipo nos próximos anos. Além disso, aguarda a chegada de outros modelos A330-200, mais antigos, para compensar a capacidade de assentos perdida com as devoluções.
Em razão do desequilíbrio na frota por conta dessas mudanças, a Azul deve fechar o segundo trimestre com 20% menos voos internacionais, de acordo com o CEO da Azul, John Rodgerson, em conversa com o Melhores Destinos durante a reunião anual da Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês).

Vale lembrar, ainda, que a Azul faz alguns voos com aeronaves da portuguesa EuroAtlantic. Nessas operações, as aeronaves não recebem a identificação externa tradicional da companhia e assentos e sistema de entretenimento não seguem o padrão de aviões próprios.
Com a crise nos preços do querosene de aviação (QAV) por conta da guerra no Oriente Médio, a avaliação da Azul é a de que a devolução dos A330-900neo e ter menos aeronaves à disposição tornou-se um cenário positivo para a companhia.

“[A redução] foi uma bênção para nós, porque aconteceu quando o combustível dobrou em um trimestre que é fraco”, disse. “Eu acho que nós vamos conviver com combustível mais caro. Então, isso é a realidade. Por isso você tem que focar em rotas que fazem mais sentido”, disse Rodgerson.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, o preço do combustível de aviação no Brasil (QAV) subiu cerca de 70%, impactado pela redução da oferta de petróleo em razão do fechamento do Estreito de Ormuz, no Irã. A commodity tem sido cotada em torno de US$ 100 o barril, contra US$ 70 antes do conflito.
Segundo Rodgerson, a Azul deve mexer na capacidade de assentos de acordo com a necessidade e os movimentos de preços do petróleo e do QAV. Não se descarta, portanto, a possibilidade de novos cortes na malha aérea nos próximos meses.
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Fonte: melhoresdestinos.com.br