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CEO da Latam chama setor de turismo brasileiro de “medíocre” e reforma tributária de “bomba atômica”

Em mais uma série de declarações fortes, o CEO da Latam, Jerome Cadier, chamou de “medíocre” o trabalho do setor de turismo brasileiro e atacou a reforma tributária, caracterizando-a como uma “bomba atômica”. As falas ocorreram durante um evento promovido pelo Grupo Lide ontem em São Paulo.

“Se individualmente cada um de nós acha que faz um trabalho bom, coletivamente, o setor do turismo do Brasil, para tomar emprestada a palavra que o João [Doria, presidente do Grupo Lide] usou na abertura, faz um trabalho medíocre“, afirmou o CEO da Latam.

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Antes da fala de Cadier e dos outros líderes das companhias aéreas, Doria usou a palavra “medíocre” ao citar o número de visitantes internacionais no Brasil. Ele afirmou que o país teve seis milhões de turistas estrangeiros em 1987 e que agora mal chega a 6,5 milhões. Esses números, porém, estão equivocados.

De acordo com dados oficiais do governo, o Brasil recebeu cerca de dois milhões de visitantes internacionais em 1987, e alcançou a marca de nove milhões no ano passado. Trata-se, portanto, de uma alta de 350%, e não de uma estabilidade. O número de seis milhões foi registrado em meados da década passada.

A fala de Cadier, por sua vez, estava relacionada à falta de união na iniciativa privada para o crescimento do setor e ao contexto atual do mercado: os custos de operação, o cenário com a reforma tributária, a dificuldade de interlocução com o governo sobre o tema e obstáculos gerais para o avanço do segmento no país.

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Entre essas barreiras, o executivo citou a falta de políticas de longo prazo e o foco em discussões “pequenas”, como o limite de bagagem. Além disso, destacou o dado de que o Brasil tem 0,5 passageiro por habitante em um ano, abaixo da média da América Latina (0,68). Em 2025, o país registrou um número recorde de 130 milhões de passageiros em voos nacionais e internacionais.

Sobre a reforma tributária, as empresas aéreas argumentam que o Imposto de Valor Agregado (IVA) de 26,5% vai encarecer as passagens. Neste sentido, a Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata) fala em uma redução de 30% na demanda no país.

Latam terá custo de R$ 6 bilhões em impostos com reforma tributária

passagem aérea barata

O CEO da Latam alegou que, sem mudanças na reforma tributária, a Latam terá de pagar R$ 6 bilhões em impostos, contra uma cifra atual de R$ 2 bilhões. E essa conta chegará ao passageiro.

“Não é a Latam que paga o imposto. A Latam repassa o imposto, que quem paga é o cliente, é quem está voando. Isso [R$ 6 bilhões] é só a Latam. Soma Gol, Azul, soma todo o setor do turismo. Vai ser impossível a gente sobreviver. A reforma tributária, se a gente não mudar, é um desastre”, declarou o executivo.

Segundo Cadier, o setor paga entre 9% e 10% de impostos nas operações domésticas e é isento no mercado internacional. E o melhor caminho, na opinião dele, seria manter esse nível de taxação, evitando a elevação para 26,5%.

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“Apesar de a reforma tributária ser boa no Brasil, e ela é necessária, e a intenção por trás da reforma tributária é impecável – e acho que é difícil questionar isso -, quando se aplicou a alguns setores, [tornou-se] uma bomba atômica”, destacou.

Em uma linha parecida, o CEO da Azul, John Rodgerson, disse que a tributação em cima do setor aéreo “é a coisa mais burra que você pode fazer”, ao falar sobre o efeito cascata da reforma tributária. O executivo estima que cerca de 10 milhões de pessoas devem deixar de viajar neste ano, com impacto especialmente sobre a classe média.

“São 10 milhões a menos de pessoas no Uber, de pessoas no restaurante, nas pousadas, que estão comprando queijo na praia”, afirmou Rodgerson.

Governo estuda formas de aliviar efeitos da reforma tributária no setor aéreo

Em meio às discussões e à pressão do setor aéreo, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) defendeu, no mês passado, uma regulamentação específica da reforma tributária para o setor aéreo. O foco está na ampliação da aviação regional no Brasil.

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O principal eixo da iniciativa, segundo o MPor, é o uso de toda a malha aérea operada por uma determinada empresa, e não apenas trechos isolados, como critério para acesso à redução de 40% sobre os tributos IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), previstos na reforma tributária, cuja soma resulta no chamado IVA Dual.

Nesse modelo, de acordo com o ministério, são consideradas empresas aéreas regionais aquelas cuja operação contemple 50% da oferta de assentos dedicados a rotas regionais. Ainda não há uma definição sobre o tema.

“Esse enquadramento permite que o benefício tributário seja aplicado de forma mais ampla, criando condições para que o desempenho financeiro das rotas principais sustente a expansão e a manutenção de voos em regiões menos atendidas”, disse o MPor.

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Fonte: melhoresdestinos.com.br

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