Um cemitério de baleias encontrado no fundo do oceano Índico revelou uma concentração rara de fósseis, esqueletos recentes e comunidades marinhas vivendo sobre ossos de cetáceos. A descoberta ocorreu na Zona de Diamantina, em profundidades que chegam a mais de 7.000 metros, e ajuda a entender como a vida se organiza em áreas extremas do fundo marinho.

O cemitério de baleias fica na Zona de Diamantina, uma região de fraturas e depressões no sudeste do oceano Índico, a oeste da Austrália. O trecho estudado se estende por cerca de 1.200 quilômetros no assoalho oceânico, em uma área de relevo irregular e difícil acesso.
A profundidade impressiona porque os restos foram registrados entre 4.616 e 7.001 metros abaixo da superfície. Nessa faixa, a pressão é extrema, a luz solar não chega e a matéria orgânica que afunda da superfície costuma ser escassa.
Os cientistas registraram centenas de pontos com ossos fossilizados e quedas de baleias modernas. O levantamento foi feito com o submersível tripulado Fendouzhe, durante 32 mergulhos realizados na região em 2023.
Uma das hipóteses envolve a própria forma da Zona de Diamantina. O relevo em depressões e vales pode ter funcionado como um funil, concentrando carcaças que afundaram ao longo de milhões de anos.
Outro ponto é a presença de baleias-bicudas, animais conhecidos por mergulhos profundos em busca de lulas e peixes. Parte desses cetáceos pode ter morrido durante mergulhos extremos, enquanto a baixa sedimentação da área ajudou a manter ossos expostos por muito tempo.

Quando uma baleia morre e afunda, a carcaça se transforma em fonte de alimento para organismos do fundo oceânico. Primeiro aparecem necrófagos maiores; depois, bactérias e espécies especializadas aproveitam gorduras e compostos presentes nos ossos.
O cemitério de baleias mostra que o fundo oceânico guarda arquivos biológicos capazes de registrar milhões de anos de evolução dos cetáceos. A datação por isótopos de estrôncio indicou que quedas de baleias ocorrem nessa área desde pelo menos 5,3 milhões de anos atrás.
A descoberta também amplia o limite conhecido desses ecossistemas, antes observados em profundidades menores. Em vez de um fundo marinho vazio, a Zona de Diamantina aparece como um corredor de ossos, fósseis e organismos adaptados à pressão, ao frio e à ausência de luz.
Fonte: catracalivre.com.br